CPI da Petrobras aprovou convocação de advogada junto com outros 80 requerimentos, diz Hugo Motta


A convocação da advogada Beatriz Catta Preta para comparecer à CPI da Petrobras foi aprovada no último dia 9 por votação simbólica e em bloco junto com cerca de 80 outros requerimentos, segundo registro na ata da sessão da comissão. Por esse tipo de votação, não há registro individual de voto e, na ocasião, não houve manifestações contrárias.
Nesta sexta (31), o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-RJ), afirmou que o requerimento havia sido aprovado por “unanimidade”. A votação em bloco, porém, é normalmente feita por acordo, para dar mais celeridade ao andamento da CPI, ainda que nem todos os deputados concordem com o teor de todos os requerimentos.
“Não houve votação individual nos requerimentos. Foi em bloco. E, normalmente, quando o relator concorda, ninguém questiona. A gente tenta colaborar com o relator. A gente tenta não criar caso”, disse o deputado Izalci (PSDB-DF), um dos integrantes titulares da comissão.
Após a aprovação do requerimento, Catta Pretadecidiu deixar a defesa de três investigados que fizeram acordo de delação premiada no âmbito da investigação do esquema de corrupção na Petrobras. No total, a advogada atuou em nove dos 22 acordos de delação firmados durante a Operação Lava Jato. Nesta quinta, ela disse ao Jornal Nacional que fechou o escritório e encerrou a carreira porque estava sofrendo ameaças e intimidações.
O deputado Izalci lembra que o requerimento de convocação da advogada, votado junto com outros 80 pedidos, “não chamou a atenção” na época. 
O autor do requerimento de convocação, deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), defendeu, na ocasião, que a CPI precisava investigar a origem do dinheiro pago em honorários advocatícios.
O peemedebista é aliado do presidente daCâmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi acusado pelo ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo de receber US$ 5 milhões em propina – Cunha nega.
Camargo era um dos clientes de Beatriz Catta Preta. Nos bastidores, a apresentação do requerimento de convocação foi atribuída a uma tentativa de retaliar Camargo e a advogada pela denúncia feita contra Cunha.

“Não chamou atenção a convocação dela, na ocasião. Eu mesmo não questionei nada porque achei natural que questionassem o pagamento da conta. Mas depois que eu vi a entrevista em que ela disse ter havido ameaça velada, vejo que temos que ter um certo cuidado na CPI para não atender a interesses escusos. A gente, às vezes, acaba sendo usado”, declarou Izalci.
Ao Jornal Nacional, a advogada ainda disse que Júlio Camargo demorou a envolver o nome de Cunha no esquema por “receio” de ser retaliado.
O deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), que também integra a CPI, informou que vai cobrar, na primeira sessão da comissão após o recesso parlamentar, votação de um requerimento que prevê a convocação do presidente da Câmara para prestar esclarecimentos.
Ele disse ainda, em nota divulgada à imprensa, que irá apresentar requerimento solicitando a quebra dos sigilos de Cunha.
“Para provar sua versão, Eduardo Cunha deveria abrir os seus sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático. Seria coerente com sua política ofensiva. Mas isso ele não faz”, afirmou.



G1 
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Autor Radio Cenecista - FM 89.9 Picui PB

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