Após reunião com Dilma, líderes na Câmara preveem resistência à CPMF



Líderes da base aliada do governo na Câmara que participaram nesta terça-feira (15) de reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto disseram ao G1 que será "muito difícil" para o governo conseguir aprovar a recriação da CPMF no Congresso.
Dilma informou que enviará ao Congresso uma proposta que institui uma Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF) com alíquota de 0,2% sobre as transações financeiras, como forma de financiar a Previdência Social. Mas o governo negocia com governadores e com lideranças parlamentares a aprovação pelo Congresso de uma alíquota maior, de 0,38%, a fim de contemplar estados e municípios com a parcela da arrecadação que exceder 0,2%.
Foi uma reunião difícil. Os líderes foram muito enfáticos e sinceros com a presidente em relação às possibilidades de aprovação desse novo ajuste no Congresso, principalmente em relação à CPMF."
Deputado Maurício Quintela Lessa (AL), líder do PR na Câmara
"Todos, sem exceção, falaram que as dificuldades serão muito grandes", declarou o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que participou do encontro com a presidente.
De acordo com o deputado, Dilma discutiu com os deputados a possibilidade de o Congresso elevar a alíquota da CPMF. Segundo Rosso, ela destacou que o Legislativo é “soberano” e que poderá fazer essa modificação.
“A presidente falou que os governadores, inclusive ontem [segunda-feira, 14] no jantar, sugeriram que eles também façam parte, pediram que o governo mudasse a proposta. Ela disse que o Congresso é soberano e poderá mudar, e falou que os governadores afirmaram que irão ao Congresso, para tentar essa alteração”, disse.
O líder do PR, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), também relatou que o clima da reunião foi de resistência às propostas de ajuste fiscal. Segundo ele, os parlamentares defenderam que a equipe econômica “mude o eixo” do ajuste e faça mais cortes, em vez de recriar a CPMF.
Nossa percepção é que o momento político da relação com o Congresso não está bom e que a CPMF é um projeto com grande rejeição na sociedade."
Deputado Domingos Neto (CE), líder do PROS na Câmara
“Foi uma reunião difícil. Os líderes foram muito enfáticos e sinceros com a presidente em relação às possibilidades de aprovação desse novo ajuste no Congresso, principalmente em relação à CPMF. Não fizeram os cortes que a população esperava e fica um ajuste difícil de defender. Vamos defender que não se avance com a CPMF e que se aumente o leque de cortes de despesas”, disse o parlamentar aoG1.
Para o deputado, o governo vai ter um grande “desgaste” com o Congresso e com a população criando um imposto em meio a um momento de fragilidade política da presidenteDilma Rousseff. Ele destacou ainda que outras medidas anunciadas pela equipe econômica, como suspensão do reajuste salarial de servidores, também devem gerar instabilidade.
“No PR, tenho extrema dificuldade de passar várias questões e olha que foi um partido que, em relação ao primeiro ajuste fiscal, ajudou. A credibilidade do governo e da economia está abalada. Esses cortes deviam ter sido feitos antes. São medidas que mexem com FGTS, sistema S, servidores, alta de impostos, nova CPMF. Você vai enfurecer a população e se desgastar no Congresso para medidas que talvez não sejam aprovadas”, disse.
 O líder do PROS na Câmara, deputado Domingos Neto (PROS-CE), também se manifestou contra a volta da CPMF na reunião com a presidente Dilma Rousseff.
“Nossa percepção é que o momento político da relação com o Congresso não está bom e que a CPMF é um projeto com grande rejeição na sociedade”, disse ao G1.
O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), também prevêdificuldades, mas afirmou que os líderes dos partidos da base governistas não são contra e vão "dialogar" com as bancadas.
“Evidentemente, alguns líderes colocaram que essa é a matéria que tem uma maior dificuldade. Não significa que eles estejam contrários. Muito pelo contrário, vão dialogar nas bancadas”, disse.
Governadores
Em jantar na noite desta segunda (14), o governo tratou com governadores da possibilidade de elevar a alíquota da CPMF para até 0,38%. O que ultrapassasse 0,2% iria para estados e municípios.
Na tarde desta terça, Dilma disse, porém, que enviará ao Congresso a proposta de alíquota de 0,2%. “Como será feito no Congresso é um outro processo de discussão”, disse a presidente sobre a possibilidade de elevação da alíquota.

Na visão do líder do PSD, seria mais fácil aprovar a CPMF se os recursos fossem compartilhados com os Executivos locais. ]
“Acho que, realmente, quando você compartilha com estados e municípios e coloca regras mais claras, tem mais chance de aprovar. Agora, o brasileiro está pagando muito imposto e está cansado de tudo isso.”
Para o deputado Domingos Neto (CE), líder do PROS, é um “tiro no pé” a iniciativa de destinar os recursos somente para a União pagar a Previdência. O deputado defendeu que a receita deveria ser compartilhada com estados e municípios e ir para a saúde.
“Inicialmente tínhamos essa proposta para a saúde e com divisão para estados e municípios. Entendo que colocar só para a Previdência é um tiro no pé, tanto pela exclusão dos outros entes como pelo fato de empurrar com a barriga, mais uma vez, a necessária reforma da Previdência, uma vez que a nova receita cairá como um paliativo ao déficit crescente.”



G1 
Compartilhar Google Plus

Autor Radio Cenecista - FM 89.9 Picui PB

Postar um comentário