Forró invade e ‘anima’ pelo menos 20 países da Europa

Existem cerca de 20 festivais musicais exclusivamente de forró e shows cada vez mais demandados em 20 países. Esse é o cenário vivido hoje pelo forró brasileiro de raiz na Europa, um mercado que já voltava seus ouvidos há algum tempo para essa música, mas que nos últimos dois anos entrou num processo de consolidação. 

O crescimento desse mercado foi o tema da mesa-redonda ‘Internacionalização do forró’, dentro do 2º Fórum de Forró de Raiz e 1º Encontro nacional de Forrozeiros, no Espaço Cultural, em João Pessoa. As discussões reuniram o cantor e compositor baiano Del Feliz, o músico França Coroneto (ex-zabumbeiro e agora produtor do Trio Nordestino) e o produtor cultural residente na França, Cacau Moutinho.

Alemanha, França, Inglaterra, Portugal e Itália fazem hoje os festivais europeus mais tradicionais, sendo o mais antigo do de Stuttgart, mas já há movimento muito forte na Rússia. “O forró já chegou até na Grécia e Escócia”, diz Moutinho.

Música, dança e workshops
O modelo desses eventos demonstra que os europeus estão muito interessados em conhecer a fundo as raízes do ritmo que se desenvolveu mais fortemente no Nordeste Brasileiro. Em boa parte dos festivais, além de shows musicais, são promovidas oficinas de dança e instrumentos musicais e workshops em que o debate enfoca a natureza e as origens do forró.

“No meio do ano também organizamos estágios de dança, reunindo professores de cada país para fazer essa interação. São professores brasileiros que levam o conhecimento para os colegas da Europa. Mas já existem professores europeus de forró”, revela Cacau Moutinho.

A particularidade dos eventos europeus, segundo Del Feliz, é justamente o caráter pesquisador que eles têm. O formato já desenhado com shows e workshops põe os músicos nordestinos na qualidade de disseminadores da música e de sua história. “Os nossos músicos se apresentam e ensinam sanfona, zabumba, triângulo, até capoeira. Há uma busca pela diversidade da nossa cultura regional, mas o foco é o forró”, explica.

Segundo Del Feliz, o forró conseguiu seu sucesso na Europa e tem conquistado um espaço que tem perdido no Brasil: “Antes tínhamos professores brasileiros espalhados por todos esses países, hoje temos russos, italianos, franceses, alemães, formados por brasileiros. Alguns deles têm até mais acuidade que nós, porque fazem questão de que seus alunos conheçam a dança típica do regional, nada de fazer aquelas evoluções usadas atualmente por aqui”.

Dança fomenta
O músico França Coroneto disse que um trabalho importante na disseminação do forró é desenvolvimento por professores e grupos brasileiros de dança que atuam na Europa. Durante todo o ano, esses grupos fomentam a cultura do forró em apresentações e aulas.

Ex-zabumbeiro e hoje produtor do Trio Nordestino, que está entre os maiores nomes nacionais do ritmo, Coroneto calcula que nos últimos dois anos aumentou a demanda pelo forró brasileiro na Europa: “Noto pelo ritmo de chegada e saída das bandas. Isso é muito bom pra gente, porque é um mercado que está sendo solidificado”.

Memórias
O jornalista e escritor Fernando Moura fez palestra abordando o trabalho de ‘construção de memórias’ realizado atualmente pelo Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), também conhecido como Museu dos Três Pandeiros.

Moura expôs sobre a importância de se ter uma infraestrutura moderna como o MAPP que possa salvaguardas as memórias das cultura paraibana e nordestina. “O trabalho desenvolvido lá é fundamental para preservamos esse conhecimento, porque se trata de um museu. Mas é muito importante que as pessoas interajam com o museu”, disse.

Localizado às margens do Açude Velho, em Campina Grande, o projeto modernista do museu foi assinado pelo escritório de Oscar Niemeyer.

Portal Correio com José Carlos dos Anjos Wallach, do Correio da Paraíba
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Autor Radio Cenecista Picui PB

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