Boqueirão-PB quadruplica volume d’água. Boqueirão RN de Parelhas continua recebendo água/ Paraíba defesa civil orienta

A Barragem Boqueirão de Parelhas devido as últimas chuvas continua recebendo água.

Desta Sexta (30) para este sábado (31), a Barragem Boqueirão aumentou seu volume de água em mais 16 centímetros.

Totalizando neste ano de 2018, 01 metro e 80 centímetros.
E ainda segundo informes, o reservatório continua recebendo água.


O principal rio que deságua no Gargalheiras começou descer com um bom volume de água na tarde desta Sexta-feira Santa.


Segundo informações de moradores, essa é a primeira cheia do rio Frei Martinho esse ano.

Em Picui dia 9/03 - 4,8 mm.  Neste 3/03 - 7.9 mm.



Defesa Civil orienta



A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) segue monitorando as áreas de risco na Capital. De acordo com o coordenador, Noé Estrela, a Defesa Civil permanece em observação constante sobre ocorrências e possíveis avisos de atenção emitidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Até o início da tarde desta sexta-feira (30), não havia alerta de gravidade ou ocorrências registradas.
Ainda de acordo com Noé, a Defesa Civil não registrou problemas com pontos de alagamentos, ou deslizamento de barreiras e outros sinais de possíveis problemas acarretados pela chuva. “Nas últimas 24h, choveu 46mm³ em João Pessoa e estamos trabalhando com tranquilidade. Não houve ocorrências graças ao trabalho preventivo. E o volume das chuvas, segundo a previsão, deve diminuir”, destacou o coordenador.
Trabalho preventivo – Com a implantação do Programa João Pessoa em Ação, a Capital paraibana não registra mais inundações, deslizamentos, pessoas desabrigadas e morte desde 2013.
A redução das ocorrências é fruto de uma ação capitaneada pela Defesa Civil Municipal. ‘João Pessoa em Ação – Força Municipal de Prevenção de Riscos’, é uma parceria com as Secretarias de Infraestrutura (Seinfra), Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Desenvolvimento Social (Sedes), Meio Ambiente (Semam) e a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), onde são desenvolvidas ações integradas, diariamente, em vários pontos da cidade para coibir os efeitos das chuvas e evitar transtornos para a população.
De acordo com Noé Estrela, essas ações integradas compreendem desassoreamento de rios, capinação, roçagem, remoção de entulhos, demolição de residências em áreas de risco, poda de árvores, limpeza de canaletas, loneamento de barreiras, desobstrução e recuperação de galerias pluviais e assistência social.
O dia estava ensolarado, a expectativa era nítida na alma de um povo que, por séculos, foi castigado pela mais absoluta seca hídrica. Havia, entre eles, o desejo de ver, em abundância, águas singrarem, de forma perene, nos reservatórios e rios do semiárido paraibano. Esse foi o “cenário” apresentado no dia 10 de março de 2017 para o Presidente da República, Michel Temer (MDB), que inaugurou oficialmente o Eixo Leste da transposição do Rio São Francisco, que contempla, em dias atuais, 32 municípios e nove distritos da Paraíba, beneficiando 800 mil pessoas.
1 ano da Transposição do Rio São Francisco
As águas começaram a deslizar pacientemente sobre as placas de concreto a caminho do Rio Paraíba, cortando o município de Monteiro, e ganhando, aos poucos, vazão considerável para abastecer os reservatórios existentes na linha inserida no curso d´água do projeto. Para se ter uma ideia da evolução dessa obra, no dia 8 de março de 2017, após a abertura das comportas, o volume do reservatório da barragem de São José, em Monteiro, era de 12% da sua capacidade máxima. Em fevereiro deste ano, segundo dados do Ministério da Integração Nacional, o mesmo açude encontrava-se sangrando. Havia mais de dez anos que o reservatório não transbordava, como afirmou a prefeita de Monteiro, Ana Lorena.
Já a barragem de Poções, situada no riacho Mulungu, também no município de Monteiro, apresentou evolução inicial em metros cúbicos de 0,8% da sua capacidade total para 6,47% em primeiro de fevereiro de 2018. O reservatório do município de Camalaú estava com apenas 5,85% da sua capacidade. Hoje, de acordo com dados obtidos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Denocs), o acúmulo d´água chega a 14,81%.
Viabilidade da obra
O presidente Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), João Fernandes, observa que os dados comprovam a viabilidade da transposição, atentando para as “boas notícias” que vêm do açude Epitácio Pessoa, localizado no município de Boqueirão. Agonizando antes de receber as águas do “Velho Chico”, em seu período mais crítico, no mês de janeiro de 2017, a água retida na barragem estava com 4,5% (ou 18,5 milhões de metros cúbicos) da sua capacidade, cuja totalidade comporta 411 milhões.

Visão do eixo leste da transposição
Atualmente, Boqueirão tem sua capacidade beirando os 17%, sendo o acúmulo de água em metros cúbicos fincado em 69 milhões, conforme dados revelados por João Fernandes. “A transposição é um sucesso. Os críticos da obra hoje rendem-se à necessidade do projeto. Observamos que o Cariri, como o Agreste e outras regiões do semiárido paraibano foram contemplados com água perene. Só em Campina Grande, cidade com população estimada em 400 mil habitantes e que estava sofrendo com severo racionamento o ano passado, está livre dessa calamidade”, sentenciou.
O presidente da Aesa foi mais além, ao explicar que o racionamento agredia a economia da cidade e impedia, de certa forma, a implementação de políticas públicas voltadas à cidade e à sociedade. “Hoje isso não mais acontece”. João Fernandes observou que outras 18 do compartimento da Borborema foram beneficiadas. “São mais de 800 mil pessoas beneficiadas, diretamente, com as águas advindas da transposição do São Francisco”, salientou.
João Fernandes adiantou que, até o final deste ano, as águas advindas da transposição beneficiarão mais 14 municípios localizados no baixo curso do rio Paraíba, como as cidades de Pilar, Itabaina e Salgado de São Feliz, todos cravados na região de transição entre o Agreste e Zona da Mata. O presidente da Aesa informou que, após esta expansão, que será efetivada conclusão do Eixo Norte, marcada para o final de 2018, mais de um milhão de pessoas serão beneficiadas diretamente no estado.
Zona urbana e rural são beneficiadas
A transposição do Rio São Francisco vem beneficiando o estado da Paraíba de várias formas, como apontou João Fernandes. Ele observou que a população residente na zona urbana vem, gradativamente, livrando-se do fantasma crônico do racionamento de água. O polo industrial também está colhendo os frutos da ação, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) paraibano tenderá a melhorar.
No tocante aos que vivem na zona rural, projetos elaborados pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Denocs), cooperativas municipais, Governo Federal e Estadual estão priorizando a cultura irrigada de subsistência. Para tanto, os agricultores têm, por obrigação legal, cultivar os seus produtos em terras que não ultrapassem meio hectare, a fim de preservar o leito do Rio Paraíba, seus afluentes, barragens, e a própria fauna e flora, para não causar desequilíbrio ambiental.
Obras em açudes e suspensão de bombeamento terão início no dia 2 de abril
Durante reunião realizada no dia 16 de março, na sede do Ministério Público Federal (MPF) em João Pessoa, ficou definido que as obras dos açudes Poções e Camalaú serão retomadas em 2 de abril. Segundo a Secretaria de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, a redução da vazão de bombeamento da água no eixo leste já foi iniciada, mas não afetará a população. Em suma, os riscos para racionamentos são nulos. A previsão do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) é que as duas obras sejam entregues em, no máximo, quatro meses.
Os representantes da Agência Nacional das Águas (Ana), Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) e Secretaria de Recursos Hídricos da Paraíba foram contrários à retomada imediata das obras nos dois açudes, propondo o reinício para junho ou julho, após o período chuvoso. O Dnocs e o Ministério da Integração, no entanto, apresentaram dados técnicos sobre a necessidade da retomada imediata das obras de recuperação dos mananciais
De acordo com a procuradora Janaína Andrade, coordenadora do grupo de trabalho da transposição do rio São Francisco na Paraíba, “se os órgãos gestores da transposição pretendem garantir o fornecimento de água com segurança para as cidades, é indispensável a conclusão das obras nos açudes Poções e Camalaú, uma vez que, concluídas as tomadas de água complementar desses açudes, será possível verter para o rio Paraíba não somente as águas transpostas mas também as águas das chuvas, que podem ser armazenadas nessas duas barragens. Assim, o MPF não pode admitir que os municípios que integram o eixo leste da transposição dependam unicamente de um bombeamento artificial sem uma reserva hídrica”.
Marcondes Gadelha relembra que ideia da transposição surgiu no Brasil Império

Marcondes Gadelha
O ex-deputado federal e ex-senador da República, Marcondes Gadelha, hoje vice-presidente nacional do Partido Social Cristão (PSC), foi relator, no ano de dois mil, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da Comissão no Congresso Nacional que avaliou a viabilidade da transposição do São Francisco. A obra, como ele lembra, teve seu nascedouro em 1847, ou seja, no tempo do Império Brasileiro de Dom Pedro II.
Ele acentuou que os estudos começaram no século XIX, passando pelo governo de Getúlio Vargas, ganhando novos contornos no período da Ditadura Militar, em especial na gestão do general João Batista de Oliveira Figueiredo. Após muitas discussões, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), então presidente da república entre 1995 e 2003, solicitou dois projetos de estudos para a viabilização da obra.
Os estudos, realizados por duas empresas especializadas na área, uma israelense e outra finlandesa, foram extremamente criteriosos e analisaram possíveis impactos ambientais no São Francisco, desde o aproveitamento correto da sua vazão d´água, até possíveis impactos na sua fauna e flora. Contudo, os chamados “Estados Doadores”, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco (este último beneficiado pela obra), realizaram uma série de mobilizações para impedir a transposição.
As resistências só foram quebradas no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo iniciadas em 2007, passando pela gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que esteve à frente do Executivo Nacional entre 2011 e 2016, até a gestão do atual presidente, Michel Temer (MDB). Para Marcondes Gadelha, não existe “o pai da criança” quando o assunto é transposição. “Todos tiveram seus respectivos papéis para a consolidação de um sonho. Uns mais, outros menos, mas, no final, foi o povo que venceu. Quando o Eixo Norte estiver consolidado até o final do ano e a obra ser concluída, as frentes de emergência, a migração do homem do campo para as grandes cidades, a sede e a fome dos que habitam o semiárido serão lembranças da história do Nordeste. Vivemos novos tempos e não só eu, mas todos que lutaram pela transposição, nos sentimos plenamente realizados”, finalizou.

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Autor Radio Cenecista - FM 89.9 Picui PB

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