Filho de Bolsonaro ameaça STF e diz que para fechar corte basta “um soldado e um cabo”

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro, ameaçou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso eles decidam fazer algum tipo de questionamento à candidatura de extrema direita do PSL. "Se o STF arguir qualquer coisa... Sei lá, que recebeu uma doação ilegal de 100 reais do José da Silva... E impugna a candidatura dele... Eu não acho isso improvável, mas aí vai ter que pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo?", questiona o deputado, em vídeo que começou a circular pelas redes sociais neste domingo. "O pessoal até brinca que para fechar o STF você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo. Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular?".
O Supremo ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ameaça. O EL PAÍS procurou o deputado e sua assessoria, mas até a publicação desta nota não recebeu respostas. Contudo, o presidenciável Jair Bolsonaro negou a jornalistas que exista a possibilidade de o Supremo ser fechado, segundo informou a Folha de S. Paulo. "Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra", disse. 
Ele também garantiu desconhecer o vídeo e disse duvidar que seu filho tenha feito tal afirmação. "Alguém tirou de contexto", afirmou. 
Já a ministra Rosa Weber, que também é presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou ter conhecimento do vídeo, assim como de sua desautorização por parte de Jair Bolsonaro. "De qualquer sorte, embora não seja a presidente do STF, e sim do TSE, [quero dizer que] no Brasil as instituições estão funcionando normalmente".
Ela disse ainda que os juízes no Brasil "não se deixam abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como inadequada".
As declarações foram feitas durante uma aula na AlfaCon Concursos Públicos, que oferece cursos preparatórios para os que almejam trabalhar na Polícia Federal e outras instituições públicas. O vídeo de sua fala foi publicado em julho deste ano no canal do Youtube do curso preparatório. "Sendo eleito no primeiro turno, há possibilidade de o STF criar uma previsibilidade para agir e impedir que seu pai assuma? E, isso acontecendo, o Exército pode agir sem ser invocado, salvo engano, o artigo 1º?", perguntava um participante da aula. 
Eduardo Bolsonaro, que é policial federal e foi reeleito deputado federal por São Paulo neste ano com 1,8 milhão de votos, tornando-se o mais votado da história, começou respondendo o seguinte: "Aí está caminhando para um estado de exceção, né. O STF vai ter que pagar para ver. E aí quando ele pagar para ver, vai ser ele contra nós. Você está indo para um pensamento que muitas pessoas falam e muito pouco pode ser dito".
 O vídeo ascendeu novamente os temores de uma possível escalada autoritária no país. 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que costuma ser cauteloso, afirmou que as declarações sobre o STF "cruzaram a linha, cheiram a fascismo". Segundo informou o jornal O Globo, Fernando Haddad, candidato a presidência do PT, disse durante uma entrevista em São Luís, no Maranhão, que "esse é pessoal é uma milícia", em referência à família de seu adversário. "Não é um candidato a presidente. É um chefe de milícia. Os filhos deles são milicianos, são capangas. É gente de quinta categoria".
O EL PAÍS também telefonou para a sede da AlfaCon em Cascavel (Paraná), onde a aula foi realizada, segundo consta na descrição do vídeo. O homem que atendeu a ligação disse que um responsável só poderia falar com a reportagem a partir de segunda-feira, mas, antes de interromper bruscamente a ligação, acusou este jornal de ser "tendencioso" e "de esquerda".
O TSE vai investigar se empresas bancaram ilegalmente o envio de milhares de mensagens por WhatsApp para favorecer a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), conforme publicado em reportagem da Folha de S. Paulo. O PDT, partido de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na eleição presidencial, também entrou com uma ação no TSE na qual pede a anulação da eleição presidencial, por abuso de poder econômico por parte de Bolsonaro. Já a campanha de Haddad protocolou uma representação na qual pede a investigação do caso e a cassação do registro de Bolsonaro.
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Autor Radio Cenecista - FM 89.9 Picui PB

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